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Justiça

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“Foi o pior dia da minha existência”, diz advogada, cujo companheiro foi assassinado ao protegê-la

Esposo de advogada é assassinado na porta do fórum

Esposo de advogada se atirou na frente de italiano para proteger sua esposa e foi assassinado a tiros. Foto: redes sociaisa

  “Hoje foi o pior dia da minha existência… Dia que eu jamais queria ter vivido… Você sabe que eu faria de tudo para voltar no tempo, voltar ao ponto de nunca ter precisado ir presencialmente ao fórum, para aquela audiência presencial, marcada, em plena pandemia, pelo advogado do seu assassino, com a justificativa de que ele queria fazer um acordo e terminar todos os processos”.

As palavras acima foram escritas pela advogada, Maricélia Schlemper. É um desabafo público para expor a perda de seu esposo, José Benedito Alves de Carvalho. Ele se atirou na frente do italiano Pascuale Palmieri, para proteger Maricélia, e foi morto a tiros na porta do fórum do Barro Duro, em Maceió.

Maricélia advogava a favor da ex-mulher de Palmieri. Eles enfrentavam uma batalha judicial na Vara da Família por causa de divisão de bens e pensão alimentícia de um dos filhos do casal. No dia 09 de março de 2021, ocorreria mais uma audiência, que seria remota devido à pandemia do novo coronavírus, mas acabou sendo marcada para ocorrer de forma presencial a pedido do acusado.

“Foi tudo uma armadilha”, afirma a advogada. Esse é o mesmo entendimento da Polícia Civil, após o recolhimento de depoimentos das testemunhas e também a conclusão do próprio Ministério Público Estadual (MPE), ao denunciar nesta quinta-feira (18) o italiano por tentativa de feminicídio contra a ex-mulher, tentativa de homicídio contra a advogada e homicídio contra Benedito.

Pascuale Palmieri nutria ódio pela advogada Maricélia, segundo depoimento da própria  ex-mulher do acusado. Ele assediava Maricélia para que ela deixasse o caso. Chegou a sondar a advogada em sua casa. De acordo com as investigações, Palmieri acreditava que a advogada era responsável por levar a sua ex-mulher à Justiça afim de disputar os bens materiais da família.

De acordo com os depoimentos colhidos, a audiência foi marcada naquele dia, às 17h, para ser realizada de forma presencial, depois de pedido de Palmieri. Sua ex-mulher foi a primeira a chegar ao fórum. Aguardou, ainda na entrada a chegada de sua advogada, que ocorreu momentos depois, acompanhada pelo esposo, Benedito, a quem carinhosamente Maricélia se dirige como Bil.

Quando os três já estavam diante da porta fórum do Barro Duro, de acordo com depoimentos, o acusado teria proferido as seguintes palavras: “Vamos fazer um acordo hoje?”. Não existia acordo, apenas a intenção de tirar a vida da advogada e da ex-mulher. Para o Ministério Público, o crime foi planejado e as duas mulheres eram os alvos do italiano.

Naquele mesmo momento, Palmieri sacou o revólver calibre 22. Atirou uma vez contra a ex-mulher, mas a arma falhou. Atirou uma segunda vez contra a advogada e a arma falhou novamente. Numa terceira tentativa, Benedito, ao ver que o tiro atingiria sua esposa, empurrou-a e se manteve à frente dos disparos. Foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu e morreu naquele mesmo dia 09 de março.

Palmieri ainda tentou fugir, mas foi pego pelos guardas judiciais do fórum e levado pela Polícia Militar para a Central de Flagrantes. Na delegacia, usou do seu direito de permanecer em silêncio e não disse uma só palavra. A arma de fogo foi apreendida e um veículo que ele conduzia. Segundo o MPE, o carro não era de propriedade de Pascuale. Nele havia uma fita adesiva amarela, utilizada para alterar números de placas, o que demonstra, segundo o órgão ministerial, o planejamento para o crime e a possível fuga.

De acordo com a advogada Maricélia, em desabafo nas redes sociais, ela pressentiu que algo estava “muito errado”, com a insistência do acusado em querer que a audiência fosse realizada presencialmente. “Eu tive um pressentimento de que tinha algo muito errado… Quis até faltar… Mas, você me disse para termos fé, que esses múltiplos processos, que nos “comiam o juízo” por quase 7 anos, estavam perto de acabar, e, o principal, que nossa cliente precisava de justiça…”, expõe como se tivesse em diálogo com seu falecido esposo.

“Foi tudo uma armadilha! Foi tudo planejado por um monstro, tudo para acabar com os processos da forma mais indigna: tirando minha vida e de minha cliente! Mas, foi você que foi embora, meu Amor”, expõe Maricélia.

O  Ministério Público ressaltou que há um histórico de violência e periculosidade contra o italiano, pois, há dois anos, a advogada recebia ameaças, com ele fazendo campana em sua residência. Além disso, há denúncias de violência doméstica contra a ex-mulher.

“Os crimes foram cometidos de forma premeditada, contra pessoas indefesas, e ainda usando de má-fé ao se apresentar de forma amigável quando aguardava o momento por ele considerado oportuno, para atirar. Revela-se que o denunciado insistiu para que seu advogado solicitasse audiência presencial, num momento em que, por conta da pandemia, as audiências estão sendo realizadas de forma remota. O denunciado usou como argumento o de que queria ficar de frente à frente com sua ex-mulher para lhe falar algumas coisas, e só assim iria fazer o acordo na Justiça, mas já tinha em plano matar tanto sua ex-mulher como a advogada dela, e ludibriou a justiça porque viu nesta a oportunidade de matar ambas no mesmo momento”, afirmam os promotores que efetuaram a denúncia, Rodrigo Soares e Dênis Guimarães

Veja depoimento completo de Maricélia

Bacharel em Direito se jogou na frente de atirador para proteger a esposa

Maricélia presenciou quando marido se jogou na frente de atirador, para protegê-la.

Meu Amor Transcendental, sorriso que me iluminava, minha vida, meu tudo, minha alma gêmea, meu anjo da guarda. Hoje foi o pior dia da minha existência…
Dia que eu jamais queria ter vivido…
Você sabe que eu faria de tudo para voltar no tempo, voltar ao ponto de nunca ter precisado ir presencialmente ao fórum, para aquela audiência presencial, marcada, em plena pandemia, pelo advogado do seu assassino, com a justificativa de que ele queria fazer um acordo e terminar todos os processos. Eu tive um pressentimento de que tinha algo muito errado… Quis até faltar… Mas, você me disse para termos fé, que esses múltiplos processos, que nos “comiam o juízo” por quase 7 anos, estavam perto de acabar, e, o principal, que nossa cliente precisava de justiça…
Mas… Foi tudo uma armadilha! Foi tudo planejado por um monstro, tudo para acabar com os processos da forma mais indigna: tirando minha vida e de minha cliente!
Mas, foi você que foi embora, meu Amor…
Ohhhhh… Amor… Eu que sempre achei que iria antes de você… Que, sempre pedia para você cuidar de nossos filhos de quatro patas…
Mas hoje, eu fui obrigada a me despedir de você, meu “Mozão”, meu lindo e adorado BILL! Meu tudo, meu sorriso de corpo e alma, meu @beneditocarvalhoal, meu anjo…
Saiba que no momento em que seu corpo foi afastado de mim, eu senti meu coração desmanchar, derreter, dilacerar, diluir, partir em milhões de pedaços…
Amorrrrrr… Nunca achei que fosse sentir uma dor tão grande, uma dor que não tem palavras para descrever o sentimento que me assola a alma…
Meu grande amor, onde quer que você esteja, essas palavras são para você:
Tenha certeza absoluta de que Você Benedito Carvalho, foi a melhor, e a mais linda, coisa que me aconteceu!
Você, que me amou tanto, que fez tanto por mim, que em muitos momentos, eu não acreditava ser merecedora!
Minha vida… Meu AMOR…Quando você me empurrou e se colocou na frente do assassino, você me afastou de você para sempre… Não era para ser você, meu amor! Não mesmo!
Porque fizestes isso? Me explique, por favor! Me dê um sinal…
Para sempre,
TE AMO!
Sua, sempre, Marizinha…

19 de março de 2021

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