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Pandemia: os caminhos que o Brasil percorreu até chegar aos 400 mil mortos

Pandemia mundial

Brasil chegou a 400 mil mortes pela covid-19. Foto: Foto: Felipe Dana/AP

Por: Mariane Rodrigues

O Brasil atinge mais um recorde nas estatísticas da pandemia do novo coronavírus. E ele não é nada animador. São 400 mil vidas a menos no maior país da América do Sul, 400 mil pessoas que não tiveram a oportunidade de serem vacinadas, 400 mil pessoas vítimas de um combate ineficaz da doença.

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Baseado em publicação do livro da Fiocruz Os impactos sociais da covid-19  no Brasil: populações vulnerabilizadas e respostas à pandemia – o Ponto de Análise preparou uma linha do tempo  dos acontecimentos desde o surgimento do vírus, até a situação atual.

No livro da Fiocruz, os doutores em saúde pública e coletiva, pesquisadores da Rede Zika de Ciências Sociais e do Observatório da Covid-19, Flávia Thedim, Ester Paiva e Gustavo Corrêa Matta,  relembram os caminhos percorridos pelo Brasil de janeiro a dezembro de 2020 para o enfrentamento da pandemia.

Negacionismo, incentivo ao tratamento precoce baseado em medicamentos não comprovados cientificamente, colapso no sistema de saúde, aumento exponencial de mortes por coronavírus, atraso nas negociações de vacinações. Veja os principais acontecimentos que trazem o recorte sobre o Brasil no enfrentamento da crise sanitária.

“Nesse momento, o ministro Mandetta e sua equipe […] parecem ter incomodado lideranças políticas do governo, incluindo o presidente da República, por tirarem o foco das discussões políticas de sua agenda econômica. Além disso, alguns setores do governo insistiam, o que permanece até os dias atuais, em um tratamento precoce para a doença , com foco na hidroxicloroquina”, afirmam os pesquisadores.

“No meio de uma pandemia, a seguida troca de ministros da Saúde foi bastante preocupante e gerou uma sensação de incerteza em relação à condução da resposta brasileira à pandemia”, afirmam os pesquisadores.

“A dificuldade de coordenação nacional e a falta de uma liderança que indicasse um caminho coerente para lidar com o vírus em escala […] levaram a que a responsabilidade, na prática, ficasse a cargo de governadores e prefeitos, incentivando uma supervalorização da fragmentação política num momento da necessidade de afirmação de um amplo pacto nacional para o enfrentamento da crise sanitária e humanitária. A decisão do governo federal ignorou a prerrogativa da União em casos como o de uma pandemia”, avaliam os estudiosos da Fiocruz.

“Na resposta brasileira, o papel da atenção primária, especialmente o dos agentes comunitários de saúde, e dos níveis secundários de atenção à saúde,  não foi claramente definido e estes níveis não foram estruturados para que a atenção à Covid-19 se desse de forma integral e coordenada”, afirmam os autores da pesquisa.

“No Brasil, a curva teve aumento expressivo entre abril e julho e certa estabilidade em níveis ainda muito elevados entre julho e novembro. Não há queda considerável de casos que indique uma nova onda”, relembram os especialistas Flávia Thedim, Ester Paiva e Gustavo Corrêa Matta.

“Com a proximidade das eleições municipais, marcadas para 15 de novembro, anunciar o aumento de casos em municípios poderia ser um revés para os candidatos da situação, o que pode ter causado um represamento de dados”, afirmam.

“Com o fechamento dos hospitais de campanha e o fato de, aparentemente, os equipamentos ali empregados não terem sido absorvidos na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), a crescente ocupação de leitos de UTI somada à falta crônica de profissionais da saúde no sistema público que pudessem trabalhar nessas unidades, mesmo equipadas, começou a causar novamente preocupação”, pontuam.

“O Brasil, que até então não apresentava grande mobilização de grupos antivacina, tem visto estes grupos crescerem, muitas vezes movidos por informações enviesadas, motivações políticas e falta de incentivo à vacinação pelo governo federal. Os desencontros na condução do plano de imunização também podem ser exemplificados pela divulgação tardia, em 16 de dezembro, do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (Brasil, 2020g), em uma versão que não circulou entre os pesquisadores envolvidos em sua elaboração”, avaliam os especialistas.

Eles relembram ainda que em abril de 2020, a OMS e a Aliança de Vacinas lançaram uma iniciativa, envolvendo governo, organizações, fabricantes, cientistas e sociedade civil, no que ficou conhecida como Covax. O objetivo era proporcionar acesso equitativo dos países às vacinas, independentemente do seu poder econômico.

“A rápida entrada do Brasil na iniciativa era esperada, mas o governo só aderiu a ela em 24 de setembro”, afirmam. Já em junho, segundo eles, o Ministério da Saúde anunciou acordo entre a Fiocruz e a Astrazênica para a comercialização dos lotes a transferência de tecnologia da vacina contra a covid-19. “O acordo foi assinado em 8 de setembro, visando a garantir a produção nacional da vacina por meio do SUS e atender à demanda do Programa Nacional de Imunização (PNI)”.

“No contexto da emergência do Sars-CoV-2 no Brasil, os agenciamentos e atravessamentos com uma conjuntura política e econômica pautada pela austeridade, pela minimização dos direitos e políticas de proteção social geraram uma crise humanitária de proporções alarmantes. O Brasil não explorou os potenciais do seu sistema público de saúde e de uma comunidade científica forte e internacionalizada, vantagens estratégicas para a resposta a uma pandemia como esta”, argumentam os pesquisadores.

30 de abril de 2021

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