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Governador de AL anuncia vacinação para presos. Infectologistas explicam porque medida é correta

O governador de Alagoas, Renan Filho, anunciou nesta semana que presos, a partir dos 18 anos, vão poder se vacinar contra o novo coronavírus. A priorização desse grupo à vacinação gerou críticas na internet. Para uma parcela da população, presos devem ser os últimos a se vacinar. Para infectologistas não.

“Um surto num local desses é de difícil controle pelo próprio ambiente fechado que propicia a disseminação dos agentes infecciosos entre as pessoas, atingindo não só os usuários dessas instituições como também aqueles que prestam serviços ao local”, afirma a médica infectologista, Luciana Pacheco.

E não é só isso, ela explica que os surtos provocados em ambientes fechados, como instituições de longa permanência para crianças e idosos e os presídios, por exemplo, demandam exigências externas, a exemplo de deslocamento de agentes penitenciários, nos casos dos presídios, comprometendo tanto o sistema prisional, quanto a unidade hospitalar responsável pelo atendimento.

“Essa é a grande importância da vacina no presídio antes de outros segmentos da sociedade. Sei que é difícil as pessoas compreenderem, mas isso faz parte do contexto da saúde pública pouco perceptível para quem está de fora do contexto e vê apenas o lado execrável do presidiário”, expõe a infectologista.

A deputada estadual Jó Pereira defendeu a vacinação primeiramente para o usuário de transporte público. “Vacinar o trabalhador usuário de ônibus é usar a lógica da ciência em todos os seus aspectos e fazer justiça aos mais humildes. É preciso priorizar a vacinação dessas pessoas, pelo mesmo critério científico pelo qual está sendo priorizada a vacinação da população carcerária: o risco de contágio devido à aglomeração inevitável”, diz a parlamentar.

Em março de 2021, o prefeito da cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, Dilvado Lara, anunciou em suas redes sociais que não iria seguir o Plano Nacional de Imunização, que prevê prioridade a detentos nos programas de vacinação. Ele afirmou que os presos seriam os últimos.

“Não tem fundamento tu dizer para a sociedade que o preso, o bandido tem que ser vacinado primeiro. Aqui, para deixar bem claro, nós não vacinaremos os bandidos antes de vacinar toda a sociedade de bem, os que estão fora da cadeia, dos que estão trabalhando para sobreviver com as suas famílias. Os bandidos serão os últimos”, afirmou em março, o prefeito.

O médico infectologista, Fernando Maia, salienta que, locais como presídios, limitam as condições de distanciamento social e são ambientes com índice de contágio muito alto. Devido a isso, eles são alvos de todas as campanhas de vacinação, especialmente da gripe.

“Em todas as campanhas de vacinação da gripe, por exemplo, sempre se vacina primeiro as pessoas que vivem em comunidades fechadas, isoladas. É o caso de abrigos, asilos e presídios. Isso porque se entrar uma pessoa contaminada nesse ambiente, como vivem confinados, todo mundo pega. Então essas pessoas devem se vacinar primeiro para evitar  surtos e epidemias nesses locais, senão o índice de contágio nesses locais é muito alto”, afirma, ressaltando ainda que um surto dentro dos presídios pode, inclusive, afetar o atendimento da população em geral nas unidades de saúde.

A infectologista Mardjane Lemos também concorda que detentos devem estar entre os grupos prioritários no plano de vacinação.

“População privada de liberdade tem maior risco de adoecimento. Está previsto no plano nacional de vacinação por este motivo. É melhor focar nos grupos com maior risco de adoecimento e de complicação. Além disso, os detentos  ocupam leito do mesmo jeito, têm família que os visitam e levam as doenças para a comunidade, e por último, são seres humanos em situação de vulnerabilidade para doenças transmissíveis”.

O governador Renan Filho, ao anunciar a vacinação, lembrou que a população privada de liberdade foi incluída pelo Governo Federal como grupo prioritário no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19.

“Vacinar os presos e profissionais do sistema prisional é preconizado na Campanha Nacional de Vacinação e nós temos que vacinar a todos, sim, até porque quem está recluso de liberdade está sob a tutela do Estado. Essas pessoas também precisam ser vacinadas. Além disso, nós vamos seguir com a vacinação de toda a população”, informou o chefe do executivo estadual.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem do Advogados do Brasil (OAB/AL) considera que a população não deve levar essa prioridade como privilégio, mas como um direito que deve ser acessível a todos.

“A vacina não deveria ser entendida como um privilégio, mas como um direito de todas as pessoas, porém diante da ausência de vacinas suficientes, a definição das prioridades deve ocorrer de forma a considerar os principais riscos para toda sociedade. Nesse contexto, é fundamental seguir a orientação de especialistas em saúde pública que recomendam, com veemência, que a população carcerária seja vacinada”, afirmou à Agência Alagoas.

Além desse público, Alagoas ampliou a campanha para cinco novos grupos.  São eles:

  • Pessoas com comorbidades de 45 a 55 anos de idade
  • Pessoas com deficiência de 55 a 59 anos
  • Profissionais da educação básica de 55 a 59 anos
  • Trabalhadores da saúde maiores de 18 anos
  • Pessoas em situação de rua a partir de 18 anos;
  • Reeducandos e servidores do Sistema Prisional acima de 18 anos.

5 de Maio de 2021

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