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CPI da Pandemia: bate-boca, ofensas e pedido de prisão, veja como foi o depoimento de Wajngarten

Wajngarten depôs à CPI da Pandemia

Depoimento de Wajngarten à CPI tem ataques entre senadores e pedido de prisão.Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Mariane Rodrigues com Agência Senado

O depoimento do ex-secretário de comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, à CPI da Pandemia, foi o mais caloroso até o momento. Ele ocorreu durante todo o dia desta quarta-feira (12) e teve desde pedido de prisão, até ofensas entre os senadores e acusações de que mentiras estavam sendo proferidas nos depoimentos.

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As perguntas ao ex-secretário de comunicação foram focadas na sua interferência para as negociações da venda de doses da vacina Pfizer. Ele foi chamado à CPI devido a uma entrevista concedida por Wajngarten à revista Veja no final de abril. Na entrevista, ele chama a equipe do Ministério da Saúde de incompetente e que por isso houve atraso na entrega das vacinas. Clique aqui e veja a entrevista.

Pfizer 

  1. Wajngarter confirmou na CPI que a Pfizer enviou uma carta a seis autoridades brasileiras no dia 2 de setembro.
  2. Wajngarten confirmou que a carta falava sobre a oferta de vacinas, mas segundo ele, eram “500 mil vacinas”, e não 70 milhões de doses, como havia saído em sua entrevista à revista Veja.
  3. Teriam recebido a carta: Jair Bolsonaro, o vice-presidente, Hamilton Mourão, os ministros Paulo Guedes (Economia), Eduardo Pazuello (Saúde), Walter Braga Netto (Casa Civil) e embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.
  4. Afirmou que o Palácio do Planalto demorou dois meses para responder a carta da Pfizer.
  5. Ele isentou o presidente Jair Bolsonaro de culpa pela demora e evitou críticas ao ex-ministro Eduardo Pazuello pela procrastinação no acordo.
  6. O ex-secretário disse só ter tomado conhecimento do comunicado [da Pfizer] no dia 9 de novembro, quando entrou em contato com a farmacêutica.
  7. Wajngarten afirmou ter recebido no Palácio do Planalto o representante da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo.  Afirmou, no entanto, que o presidente Jair Bolsonaro não participou do encontro e que não foram discutidos temas como “cronograma ou valores” para a compra do imunizante.

“Vi por bem levar o assunto Pfizer ao presidente Bolsonaro na busca de uma solução rápida, e assim foi feito. Minha atitude proativa em relação ao laboratório produtor da vacina foi republicana e no sentido de ajudar. Nunca participei de negociação. O que busquei sempre foi o maior número de vacinas para atender a população brasileira com uma vacina que tinha maior eficácia. Isso foi o que busquei sempre”, disse o ex-secretário de comunicação.

O que havia era uma promessa da Pfizer de que, se o Brasil se manifestasse no tempo adequado, ela envidaria os maiores esforços para aumentar a quantidade e diminuir o prazo. E foi exatamente isso que eu exigi nos outros dois encontros que tive com eles”,explicou.

Entrevista à Veja

Wajngarten depôs à CPI da Pandemia

Depoimento de Wajngarten tem ataques entre senadores e pedido de prisão.Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O momento quando foi abordada a entrevista à Veja foi um dos mais calorosos da sessão. Isso porque o ex-secretário entrou em contradição com algumas declarações suas expostas pelo veículo de comunicação.

  1. À CPI, ele  negou guardar e-mails, registros telefônicos ou minutas de contratos trocados com a empresa norte-americana, ao contrário do que consta em sua entrevista na Revista Veja.

“Todas as minhas trocas de informação estão no computador da Secom. Em minhas mãos, não tenho nada. Em minha posse, não tenho. Não tenho nada além do que está no computador da Secom. Entendo que está guardado, está preservado. Se alguém logar com minha senha de usuário no computador, vai encontrar”, disse na CPI.

2. Em entrevista publicada pela revista Veja em abril, Wajngarten afirma que o acordo com a Pfizer não prosperou por “incompetência e ineficiência” da “equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período”. Sem citar nomes, ele voltou a reclamar da “incompetência” e da “burocracia” do setor público. No entanto, durante a CPI da Pandemia, ele negou que tivesse chamado a equipe do ministério de incompetente.

3. Os senadores requisitaram à revista Veja a transcrição da entrevista publicada em abril e reconvocar o ex-secretário de Comunicação como investigado.

4. A Revista Veja não enviou o áudio, em vez disso, publicou o conteúdo na internet. Ouça aqui. Ao divulgar, o áudio foi apresentado aos senadores e o ex-secretário confirmou a veracidade do conteúdo.

Publicidade e vacinação 

Wajngarten depôs à CPI da Pandemia

Depoimento de Wajngarten à CPI tem ataques entre senadores e pedido de prisão.Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Renan Calheiros inquiriu Fabio Wajngarten sobre uma série de declarações de Jair Bolsonaro contrárias à imunização. Relembrou de falas do Bolsonaro afirmando que não compraria vacinas da China e que chamou a CoronaVac de Vacina chinesa do João Doria.

Questionado sobre o impacto dessas declarações sobre as campanhas de imunização no Brasil, o ex-secretário de Comunicação poupou críticas a Jair Bolsonaro.

“O presidente sempre disse que compraria toda e qualquer vacina, quando aprovado pelo órgão regulatório. Os atos do presidente pertencem a ele. Não posso especular, não posso imaginar o que passava pela cabeça dele no momento em que falou isso. A mensagem do presidente é uma. A minha campanha na televisão é outra. A campanha de rádio é outra. Tem impacto? Tem impacto. A gente faz campanhas para contrapor, a gente faz campanhas para complementar”. 

  1.  Fabio Wajngarten afirmou que  a Secretaria de Comunicação e o Ministério da Saúde realizaram 11 campanhas informativas, educativas e publicitárias sobre a pandemia e que tudo custou um total de R$ 285 milhões.
  2. Ele disse “jamais” ter sofrido pressão de Jair Bolsonaro para direcionar o teor das campanhas de conscientização.
  3. Tasso Jereissati questionou autoria do vídeo “O Brasil não pode parar”, divulgado em março de 2020. Wajngarten disse desconhecer se a campanha foi feita pela Secom e diz que estava afastado da pasta no período por estar com covid.
  4. Humberto Costa (PT-PE) exibiu no celular vídeo da campanha O Brasil não pode parar e mostra que foi produzida pela Secom. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), por sua vez,  exibiu vídeo em que Wajngarten diz ter trabalhado em março de 2020, quando teve covid.
  5. Renan perguntou sobre subvenção de sites e influenciadores, por meio da Presidência, para prestação de serviço. Wajngarten negou, mas confirmou contratação de influenciadores por R$ 23 mil para campanha sobre “tratamento precoce.
  6.  Disse “desconhecer” a existência de “um ministério paralelo” para orientar o presidente da República sobre o enfrentamento da covid-19.

Bate-boca e pedido de prisão

Wajngarten depôs à CPI da Pandemia

Depoimento de Wajngarten à CPI tem ataques entre senadores e pedido de prisão.Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em um momento da reunião, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), chegou a advertir Fabio Wajngarten para que respondesse diretamente os questionamentos dos parlamentares.

Segundo Aziz, o ex-secretário de Comunicação estaria “tangenciando” perguntas elaboradas pelos integrantes da comissão.

O senhor só está aqui por causa da entrevista. Senão, a gente nem lembraria que o senhor existiu. Não tem outra razão para o senhor estar aqui. Você chamou o [ex-ministro Eduardo] Pazuello de incompetente. Disse que a Pfizer tinha cinco escritórios de advocacia, e o governo estava perdido. Está aqui tangenciando sobre as perguntas. Depois, a gente toma uma medida mais radical, e aí vão dizer que somos isso e aquilo. Por favor, não menospreze nossa inteligência. Ninguém é imbecil aqui. O senhor não está respondendo. O senhor está mentindo aqui para todos nós”, acusou Omar Aziz.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) saiu em defesa do depoente.

“Muito me preocupam os caminhos que estamos trilhando nesta CPI. A cada vez, a cada dia eu me convenço mais. A diferença é abissal, é uma coisa assim, acintosa quando a gente vê a cortesia com que foi tratado aqui o ex-ministro [Luiz Henrique] Mandetta. Como a gente diz no jargão do futebol, jogada ensaiada. E a intimidação de um cidadão, de um cidadão que merece respeito, que não merece ser humilhado, que não merece ter ali uma indução. Isso pega mal para os trabalhos da CPI“, disse.

O presidente Omar Aziz reagiu.

“Ele não está sendo humilhado, ele está sendo bem tratado. Sabe o que acontece? Humilhado é 425 mil mortes neste Brasil. Essas pessoas estão sendo humilhadas porque não tem vacina no Brasil, essas pessoas estão sendo humilhadas. Ele? Ele está muito bem protegido, todo mês tem o dinheirinho dele para comer. Que humilhação? Humilhação é o povo pobre que não tem dinheiro para comer, rapaz!”.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que também é relator da CPI, irritou-se com o depoimento de Wajngarten, também o acusou de mentir e, por isso, pediu a prisão em flagrante do depoente.

Acompanhou o pedido o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que também considerou que Wajngarten mentiu. “Este depoente tinha que sair daqui preso, faltou com a verdade e está em estado flagrancial”. A prisão foi negada pelo presidente da CPI. “Aqui não é um tribunal de julgamento”, disse Omar Aziz.

Quando a sessão estava prestes a acabar, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pediu a palavra para sair em defesa de Wajngarten. Na ocasião, ele chamou Renan Calheiros de vagabundo. “Imagine, o cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros”.

“Vagabundo é você que roubou o dinheiro do pessoal do seu gabinete”, respondeu o senador alagoano.

A CPI da Pandemia ouve nesta quinta-feira (13) o ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo. Ele comandava a representação brasileira da empresa farmacêutica norte-americana quando se iniciaram as negociações com o governo brasileiro para a compra de vacinas contra o coronavírus.

Assista ao depoimento completo de Wajngarter:

12 de Maio de 2021

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