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Justiça

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Justiça marca primeira audiência do assassinato de bacharel em Direito na porta do Fórum, em Maceió

Homicídio

Assassinato de José Benedito a tiros na porta do Fórum em Maceió. Foto: Redes sociais

Por Mariane Rodrigues

A primeira audiência de instrução que trata do assassinato do bacharel em Direito, José Benedito Alves de Carvalho, está marcada para ocorrer esta quinta-feira (5). Ele foi morto a tiros na porta do Fórum de Maceió, no bairro do Barro Duro no dia 09 de março de 2021.

Leia também: “Pior dia da minha existência”, diz advogada, cujo companheiro foi assassinado ao protegê-la

O acusado é o italiano Pascuale Palmieri. De acordo com denúncia do Ministério Público, Palmieri atirou para matar a advogada Maricélia Schlemper, que advogava para a ex-mulher dele em um processo de divisão de bens e pensão alimentícia dos filhos do casal. No entanto, no momento dos disparos, José Benedito se atirou à frente para proteger Maricélia, sua esposa, e foi atingido.

Na audiência de instrução, está marcado para serem ouvidas oito testemunhas arroladas pela acusação e uma arrolada pela defesa. Elas serão ouvidas na 7ª Vara Criminal da Capital, uma das varas do Tribunal do Júri. O réu será o último a ser ouvido e isso deverá ocorrer de dentro do sistema prisional por videoconferência. Caso não haja tempo suficiente para que todos sejam ouvidos na quinta, a continuidade será marcada para outra data.

A audiência de instrução é a fase processual utilizada para construir provas por meio das testemunhas tanto de acusação, quanto de defesa. Além disso, concede ao réu a oportunidade de dar o seu depoimento. Após a sua realização, a acusação e defesa apresentam suas alegações finais. Em seguida, o magistrado decide se pronuncia ou não o réu, em caso de crimes dolosos contra a vida. Em caso de pronúncia, Pascuale será julgado pelo Tribunal do Júri.

Dia do crime

No dia 09 de março de 2021, ocorreria uma audiência sobre a disputa de bens na Vara da Família, que seria remota devido à pandemia do novo coronavírus, mas acabou sendo marcada para ocorrer de forma presencial a pedido do acusado.

assassinato

José Benedito foi assassinado tentando proteger sua esposa. Foto: Redes sociais

“Foi tudo uma armadilha”, afirmou a advogada à época. Esse é o mesmo entendimento da Polícia Civil, após o recolhimento de depoimentos das testemunhas e também a conclusão do próprio Ministério Público Estadual (MPE), ao denunciar o italiano por tentativa de feminicídio contra a ex-mulher, tentativa de homicídio contra a advogada e homicídio contra Benedito.

Pascuale Palmieri nutria ódio pela advogada Maricélia, segundo depoimento da própria  ex-mulher do acusado. Ele assediava Maricélia para que ela deixasse o caso. Chegou a sondar a advogada em sua casa. De acordo com as investigações, Palmieri acreditava que a advogada era responsável por levar a sua ex-mulher à Justiça afim de disputar os bens materiais da família.

De acordo com os depoimentos colhidos, a audiência foi marcada naquele dia, às 17h, para ser realizada de forma presencial, depois de pedido de Palmieri. Sua ex-mulher foi a primeira a chegar ao fórum. Aguardou, ainda na entrada a chegada de sua advogada, que ocorreu momentos depois, acompanhada pelo seu companheiro, Benedito, a quem carinhosamente Maricélia se dirige como Bil.

Quando os três já estavam diante da porta fórum do Barro Duro, de acordo com depoimentos, o acusado teria proferido as seguintes palavras: “Vamos fazer um acordo hoje?”. Não existia acordo, apenas a intenção de tirar a vida da advogada e da ex-mulher. Para o Ministério Público, o crime foi planejado e as duas mulheres eram os alvos do italiano.

Naquele mesmo momento, Palmieri sacou o revólver calibre 22. Atirou uma vez contra a ex-mulher, mas a arma falhou. Atirou uma segunda vez contra a advogada e a arma falhou novamente. Numa terceira tentativa, Benedito, ao ver que o tiro atingiria sua esposa, empurrou-a e se manteve à frente dos disparos. Foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu e morreu naquele mesmo dia 09 de março.

De acordo com a advogada Maricélia, em desabafo nas redes sociais, ela pressentiu que algo estava “muito errado”, com a insistência do acusado em querer que a audiência fosse realizada presencialmente. “Eu tive um pressentimento de que tinha algo muito errado… Quis até faltar… Mas, você me disse para termos fé, que esses múltiplos processos, que nos “comiam o juízo” por quase 7 anos, estavam perto de acabar, e, o principal, que nossa cliente precisava de justiça…”, expôs em suas redes sociais como se tivesse em diálogo com seu falecido companheiro.

O  Ministério Público ressaltou que há um histórico de violência e periculosidade contra o italiano, pois, há dois anos, a advogada recebia ameaças, com ele fazendo campana em sua residência. Além disso, há denúncias de violência doméstica contra a ex-mulher.

“Os crimes foram cometidos de forma premeditada, contra pessoas indefesas, e ainda usando de má-fé ao se apresentar de forma amigável quando aguardava o momento por ele considerado oportuno, para atirar. Revela-se que o denunciado insistiu para que seu advogado solicitasse audiência presencial, num momento em que, por conta da pandemia, as audiências estão sendo realizadas de forma remota. O denunciado usou como argumento o de que queria ficar de frente à frente com sua ex-mulher para lhe falar algumas coisas, e só assim iria fazer o acordo na Justiça, mas já tinha em plano matar tanto sua ex-mulher como a advogada dela, e ludibriou a justiça porque viu nesta a oportunidade de matar ambas no mesmo momento”, afirmam os promotores que efetuaram a denúncia, Rodrigo Soares e Dênis Guimarães

4 de agosto de 2021

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