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CPI da Pandemia ouve vítimas da Covid. Assista

A CPI da Pandemia promove, desde a manhã desta segunda-feira (18), audiência pública com as vítimas diretas e indiretas da pandemia da covid-19.  Autor do requerimento, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a presença delas é “uma forma de se dar voz a milhares de outras famílias brasileiras que foram dilaceradas pela covid-19”.

Leia também: Após mais de um ano de pandemia, decretos ainda são questionados por quem não quer cumprir medidas sanitárias

Conforme proposto pelo requerimento do parlamentar, os convidados representam as cinco regiões do país:

vítimas da pandemia

Vítimas dão seus relatos na CPI da Pandemia. Foto: Pedro França/ Agência Senado

* Norte: Mayra Pires Lima, enfermeira de Manaus. Perdeu a irmã, que deixou quatro filhos, por conta do colapso no fornecimento de cilindros de oxigênio em Manaus, no início deste ano. Ela teve que assumir a responsabilidade dos quatro sobrinhos.

* Nordeste: Giovanna Gomes Mendes da Silva, de 19 anos. Perdeu a mãe e terá a guarda da irmã de 10 anos, sendo a nova chefe da família;

* Sudeste: Kátia Shirlene Castilho dos Santos. Perdeu pai e mãe. Ela acompanhou a mãe em sua internação na Prevent Senior, em São Paulo, e o tratamento com base no “kit covid”;

* Sul: Rosane Brandão. Perdeu o marido, que era servidor da Universidade Federal de Pelotas (RS);

* Centro-Oeste: Arquivaldo Bites Leite. Em tratamento com graves sequelas. Por impedimento médico de viajar de avião, virá de carro com acompanhante.

Além dos convidados, estiveram presentes ainda um representante da ONG Rio de Paz e o taxista Marcio Antônio do Nascimento Silva, que perdeu o filho para a covid-19. Em abril de 2020, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Silva recolocou as cruzes que lembravam as vítimas da doença, numa manifestação simbólica pelo combate à pandemia.

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Ato em Copacabana pelos 500 mil mortos pela Covid no Brasil. Foto: Rio da Paz

Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou os convidados e destacou a representatividade do grupo, composto por uma pessoa de cada região do país, todos diretamente impactados pela covid-19. Cada um dos convidados poderá falar por 10 minutos, podendo se estender caso desejem.

— Vocês representam para a CPI aquilo que todos nós perdemos: amigos, familiares, pessoas conhecidas, boa parte da esperança de muitos brasileiros. Essa CPI existe por pessoas como vocês — afirmou o senador.

Fundador de ONG destaca falta de empatia de Bolsonaro durante pandemia

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Antônio é fundador de ONG para vítimas da Covid. Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Antônio Carlos Costa, fundador da ONG da Rio de Paz, descreveu o quadro vivido pelo país durante a pandemia. Ele destacou a falta de empatia do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação às vítimas da pandemia e apontou ter ficado perplexo com a postura do presidente na pandemia, que teria sido a antítese do que seria esperado de um governante.

Bolsonaro, lembrou Antônio Carlos, minimizou o poder letal do vírus, promoveu aglomerações, xingou jornalistas e debochou da dor dos que perderam familiares durante a crise sanitária causada pela covid-19.

O fundador da ONG afirmou ainda que Bolsonaro “nunca derramou uma lágrima” pelas vítimas e classificou como “ridícula” a atuação do principal gestor público do país:

“Impressionante a falta de empatia. Que nunca mais sejamos governados da mesma maneira por quem quer que seja”, disse Antonio Carlos.

Testemunha cobra valorização dos profissionais de enfermagem e relata perda de irmãos e guarda de quatro sobrinhos

Mayra perdeu dois irmãos e teve que assumir guarda de quatro sobrinhos. Foto: Pedro França/ Agência Senado

Primeira testemunha a se manifestar na reunião desta segunda-feira (18), a enfermeira Mayra Pires Lima, que perdeu a irmã, vítima de covid-19, e assumiu a guarda de quatro sobrinhos, aproveitou para cobrar dos senadores a votação do PL 2.564/2020, que estabelece piso salarial para os profissionais da área de enfermagem.

Ela relatou as dificuldades dos trabalhadores do setor e disse que não basta chamá-los de heróis, pois eles não querem apenas parabéns, mas valorização.

Mayra Lima relatou a situação dramática vivida por ela e toda sua família durante o colapso da saúde pública em Manaus no início do ano, em que não tiveram acesso a oxigênio enquanto sofriam com falta de ar. A enfermeira relatou ter trabalhado sem nenhuma proteção contra o vírus.

Diante da manifestação da enfermeira de Manaus, o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), informou que o relatório da CPI incluirá pedido para votação urgente da proposta. que estabelece o piso salarial dos profissionais de enfermagem.

 Mayra  assumiu a guarda dos sobrinhos: duas meninas de 15 e 9 anos e um casal de gêmeos, que completou um ano recentemente. Segundo Mayra, a falta de oxigênio no Amazonas durante da explosão do número de doentes não foi responsável pela morte da irmã. 

Ela acredita que o problema maior foi a demora para conseguir uma vaga na UTI. A internação foi feita no dia 16 de janeiro e a transferência para uma unidade intensiva só se deu no dia 22. A enfermeira também relatou ter perdido um irmão, que não deixou filhos. 

Jovem perdeu os pais e relata que teve de adotar irmã após perder os pais, vítimas de covid-19

Giovanna Gomes Mendes da Silva, de 19 anos, ficou órfã e agora vai ter a guarda da irmã de 11 anos. Ela contou à CPI da Pandemia ter perdido a mãe, que era transplantada e fazia hemodiálise, para o covid-19, e o pai, que sofria de câncer e também teve covid-19. Segundo Giovanna, a mãe ficou intubada por oito dias.

“Eu vi que eu precisava da minha irmã e ela precisava de mim. A partir daí eu pensei que eu não poderia mais ficar sem ela, então decidi que precisava mesmo ficar com a guarda dela. Eu assumi esse desafio por amor”,  disse a depoente, que relatou as dificuldades para o tratamento dos pais e o desafio de cuidar da irmã.

Convidada relata descaso na morte dos pais por covid-19

Katia perdeu os pais para a covid-19. Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Muito emocionada, Katia Shirlene Castilho dos Santos testemunhou à CPI a perda do pai e mãe para a covid-19. Katia explicou que há uma semana para se vacinar, seu pai contraiu o coronavírus em 18 de março de 2021, indo a óbito alguns dias depois em hospital público. Na mesma data em que seu pai faleceu, foram registradas quatro mil mortes pela doença no país. Ela expôs o descaso sofrido por sua família, relatando fatos como a necessidade de sua irmã ter tido de ajudar a procurar o corpo de seu pai no necrotério entre muitas outras vítimas.

A convidada também relatou os percalços encontrados pela família para atendimento e internação de sua mãe na Prevent Senior, em São Paulo. Contou que inicialmente sua mãe foi atendida por telemedicina e que encaminharam para sua casa o “kit covid”, com o “tratamento precoce”, mesmo já sendo 2021, quando já se tinha melhor conhecimento sobre a ineficácia desses medicamentos para tratar os contaminados pelo vírus.

Sem resultados, sua mãe apresentou piora e teve dificuldades para fazer exames como tomografia e conseguir vaga no hospital da Prevent. Depois de muito sofrimento, sua mãe faleceu no 26 de abril deste ano.

“Quando vemos um presidente da República imitando uma pessoa com falta de ar, isso para nós é muito doloroso (…). Esse lugar representa para mim uma vitória, porque eu sei que a justiça vai acontecer. Não são só números, são pessoas. O sangue dessas mais se 600 mil vítimas escorre nas mãos daqueles que subestimaram esse vírus”, disse Katia, que também conclamou a todos a se vacinarem, lembrando que seus pais não tiveram essa oportunidade.

Jornalista perdeu seis parentes e sofre com sequelas da covid

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Arquivaldo Bites convive com sequelas da covid-19. Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Representando o Centro-Oeste, o jornalista Arquivaldo Bites Leão Leite contou aos senadores que perdeu seis parentes para a covid-19: o irmão caçula, dois primos, um tio e dois sobrinhos, além de amigos e de outras pessoas conhecidas. Arquivaldo pegou o vírus há três meses e disse que teve um AVC, perdeu a audição de um dos ouvidos e hoje não consegue andar sozinho. Ele aproveitou para fazer críticas ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia e pediu que a CPI faça justiça e garanta a memória das vítimas. Para Arquivaldo, se não fosse a comissão de inquérito, os brasileiros “estariam chorando ainda mais vítimas agora”.

Roseane Brandão pede criação de comissão de civis para tratar de violações e reparações às vítimas

Rosane Maria Brandão, que perdeu o marido para a covid-19, pediu que entre as proposições da CPI esteja a criação de uma comissão nacional com civis, nos moldes da Comissão da Verdade, criada para investigar as violações aos direitos dos cidadãos durante a Ditadura Militar. Ela conclamou os senadores a honrar as vítimas da doença, garantam a memória, a verdade e a reparação contra o desprezo do Eestado pela ciência e pela negligencia e o descaso sofridos pela população.

Ela ainda afirmou que as milhares de vítimas da covid-19 tiveram a vida abreviada em razão da “política genocida” patrocinada pelo governo federal. Rosane Brandão lembrou que essas pessoas esperaram por uma vacina que chegou a “conta gotas”. Os mortos por covid-19, ressaltou Roseane, foram vítimas do negacionismo, da ignorância, da maldade, e das fakenews.

“Tem varias maneiras de o Estado matar seu povo, e a falta de política pública é uma delas. Saúde publica depende de ações políticas”, declarou a depoente, que representou a Região Sul.

Merecíamos um pedido de desculpas, diz taxista que perdeu filho e irmã

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Marcio Antônio perdeu o filho de 25 anos para a covid-19. Foto: AgênciaSenado

O taxista Marcio Antônio do Nascimento da Silva relatou aos senadores que perdeu a irmã e o filho Hugo Dutra do Nascimento Silva, de 25 anos. Hugo foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Copacabana, no Rio de Janeiro, transferido para um hospital e intubado por 15 dias.

Marcio contou que estava andando na praia de Copacabana, em abril de 2020, quando viu uma pessoa derrubando cruzes de uma manifestação simbólica pelo combate à pandemia. Ele foi filmado recolocando as cruzes que homenageavam as 100 mil vítimas da doença.

“Naquele dia, eles começaram a me agredir não pelas palavras, porque me chamaram de comunista, petista, etc. Quando descobriram que era apenas um pai que estava triste pelo seu filho, foi um constrangimento geral”.

Marcio também se disse indignado com a falta de orientação do governo no início da pandemia e a demora para a vacinação.

“Nós merecíamos um pedido de desculpas da maior autoridade do país. Não é questão politica, se é de um partido ou de outro, nós estamos falando de vidas. A nossa dor não é “mimimi”, nós não somos palhaços. É real”, afirmou.

Durante o depoimento, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), reforçou a necessidade de garantir apoio do Estado aos órfãos da covid.

Atualmente o Brasil já contabiliza mais de 600 mil mortes em decorrência do coronavírus.

Fonte: Agência Senado

18 de outubro de 2021

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