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Direitos Humanos

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PM vai a júri esta semana acusado de matar irmãos com deficiência durante abordagem. Relembre o caso

Policial é denunciado por matar irmãos e vai a júri

Irmãos foram mortos durante abordagem truculenta da polícia. Foto: reprodução/ TV Gazeta

Por Mariane Rodrigues 

O policial militar Johnerson Simões será julgado nesta semana pelos assassinatos dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira Aleixo, de 16 e 18 anos, ambos com deficiência mental, na época do crime.

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O crime ocorreu no dia 25 de março de 2016, no bairro Cidade Universitária, durante uma abordagem desastrosa da policia.  A abordagem levou  ainda à morte, por tiro acidental, de uma terceira pessoa. Além disso, mais dois policiais foram baleados de raspão e uma terceira pessoa que passava pelo local foi atingida, mas sobreviveu.

O júri popular será realizado no dia 25 de novembro, na 9ª Vara Criminal da Capital. O cabo da PM Johnerson Simões foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, em relação aos irmãos Aleixo.

Ele foi denunciado também por homicídio culposo em relação ao transeunte Reinaldo da Silva Ferreira, bem como por erro de execução (artigo 73 do Código Penal), quanto aos disparos que atingiram os policiais Luiz Fernando Alves da Silva e Ronald Allysson Dantas Lobo. 

Do mesmo modo, Johnerson Simões foi denunciado por fraude processual, assim como o policial Jailson Stallaiken por terem alterado o local do crime e colocado armas de fogo nos pertences dos dois irmãos.  

25 de março de 2016

O crime ocorreu por volta das 20h no Conjunto Village Campestre, II, no bairro Cidade Universitária, localizado na parte alta de Maceió. S

egundo o inquérito policial, que serviu de base para a denúncia do MPE, o policial militar Johnerson Simões Marcelino e os dois policiais atingidos de raspão integravam a mesma equipe de patrulhamento no Benedito Bentes.

Johnerson recebeu uma ligação em seu telefone particular, informando que dois homens, portando uma bolsa, estariam armados pelas ruas do Village Campestre I. 

Segundo as investigações policiais, ao chegarem até o local indicado pela denúncia, Johnerson e a dupla que integrava sua equipe se depararam com os irmãos Aleixo, indo em direção ao ponto de ônibus, momento em que abordaram os dois, por possuírem características físicas semelhantes aos dos homens apontados na ligação. 

No local, os policiais determinaram que as vítimas parassem viradas para a parede, com as mãos na cabeça e entregassem a bolsa que seguravam.  As investigações apontam que os irmãos obedeceram aos comandos da equipe, segundo depoimentos de testemunhas que presenciaram a ocorrência. 

Entretanto, conforme depoimentos das testemunhas em investigação policial, os dois soldados que acompanhavam Johnerson começaram as revistas de forma agressiva, razão pela qual a vítima Josenildo, irmão mais velho, ao observar que seu irmão também estava sendo agredido, passou a se defender com tapas, mas sem se utilizar de nenhum armamento.

Foi neste momento, de acordo com os depoimentos à polícia, que Johnerson, de forma consciente, pegou sua arma calibre 40, com brasão da Polícia Militar, e disparou em via pública, em direção aos irmãos, que estavam, naquele momento, defendendo-se das agressões dos policiais. 

“A ação do denunciando Cabo Johnerson foi tão desmedida que, ao
disparar conscientemente diversos projéteis na direção das vítimas, ele,  além de atingir Josenildo com dois e Josivaldo com três projéteis, pela mesma ação ainda lesionou com “tiros de raspão” os Policiais Militares que estavam próximos das vítimas. O que só demonstra que o mencionado denunciando, apesar de não querer deliberadamente ferir seus colegas policias, mediante concurso formal, assumiu o risco de feri-los para que pudesse atingir seus alvos”, aponta Ministério Público em denúncia contra Johnerson. 

O Ministério Público lembrou que o policial assumiu o risco de atingir terceiros, já que outras pessoas que estavam nas imediações também foram atingidas. A exemplo de Reinaldo da Silva Ferreira, que morreu, e Micivan Pereira da Silva, que sobreviveu aos disparos. Eles estavam a cerca de 20 metros do outro lado da rua, sentados com outras pessoas e mesmo assim foram atingidas. 

De acordo com o Ministério Público, após efetuar os disparo, o denunciado ligou para outra guarnição, que chegou imediatamente. Johnerson, então, mandou que um policial socorresse os PMs feridos, enquanto que outro PM, desta vez, Stallaiken, permanecesse com ele para socorrer os irmãos. 

“Ressalta-se que a vítima Josenildo Ferreiro Aleixo era um adolescente de
apenas 16 anos de idade, enquanto o seu irmão Josivaldo tinha apenas 18 anos de idade e ambos eram deficientes mentais, não possuíam antecedentes criminais e estavam desarmados, existindo duas testemunhas oculares que comprovam esses fatos”, reforça o MPE. 

“Em que pese a vítima Josenildo portar uma bolsa, a mesma teria sido entregue aos policias durante a revista, afirmação comprovada pela perícia que, ao examinar a referida bolsa, visualizou que não havia sangue na mesma, o que demonstra que as vítimas, ao serem atingidas pelos projéteis, já não estavam em posse da mesma”, acrescentou o órgão ministerial. 

Fraude processual 

Em denúncia, o Ministério Público Estadual afirma que o policial Johnerson cometeu crime de fraude processual e, para isso, contou com a ajuda de Jailson Stallaiken Costa. Isso porque, os dois teriam alterado a cena do crime ao implantar uma pistola e munições de diversos calibres como se pertencessem aos irmãos Josenildo e Josivaldo. 

O Ministério Público apurou ainda que os dois policiais teriam afirmado durante as investigações que uma enfermeira encontrou, no bolso da bermuda de Josenildo uma caixa com munições calibre 22.

Entretanto, conforme as investigações avançaram, foi descoberto que a enfermeira mencionada por eles estava de licença médica na noite do fato.  Além disso, nenhuma das testemunhas que presenciaram o crime viram os irmãos portando arma de fogo. 

Por isso, o MPE chegou à conclusão de que Johnerson e Jailson implantaram as armas e munições para incriminar os dois irmãos. 

Outro ponto elencado pelo órgão ministerial para corroborar a denúncia por fraude processual é o de que ficou constatado, através do GPS da viatura utilizada para socorrer os meninos, que os dois policiais utilizaram o caminho mais longo para chegar ao Hospital Geral do Estado (HGE). 

“E após seguirem por este caminho ainda pararam por cinco minutos em um local não mencionado por nenhum dos denunciandos nas declarações prestadas, para, somente então, seguir até o HGE. Ressalta-se que, após chegarem a citada Unidade Hospitalar, a viatura fez uma parada de oito minutos e em seguida se deslocou até a Rua José Pimentel Leite, Pontal da Barra, onde fez mais uma parada de três minutos para poder retornar até o Hospital. para só muito tempo depois seguir ate o Centro de Apoio à Policia Militar”, destacou o MPE, que conclui:

“O crime foi motivado pela violência e truculência policial ao fazer uma
abordagem, espancando os indefesos civis, sendo um menor (dezesseis anos) e ambos deficientes mentais”, 

Johnerson está preso preventivamente. 

 

 

 

21 de novembro de 2021

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